17.6.08

8. Marlon Corleone Brando

Sei, sei, vou comprar uma briga de cachorro grande aqui, mas Dom Corleone era sutil, quase frágil fisicamente. Pra que aquele ostensivo algodão na boca? Pra que aquela coisa sussurrada? Pra que toda virilidade? Não, ele não se impunha fisicamente, apesar de poder fazê-lo. Não, sua voz não era sussurrada, nem tinha a opção oposta, a do grito. Corleone era a voz suave. Ele era o equilíbrio físico em sua quinta-essência, porque isso se contrapunha ao que de mais agressivo e voraz já existiu na alma. Se a interpretação de Marlon Brando fosse um sanduba paulistano, seria o de mortadela do Hocca Bar (sem dúvida inesquecível, mas mais pela opulência). E deveria ser o Polaco, do Bar Léo. O livro bate o filme -- sempre bate --, mas só quem leu o texto de Mario Puzo pode dimensionar Corleone. Dom Corleone (Marlon Brando), 2min37"

7. Bring Me the Head of Alfredo Garcia

7.0/10 (7.5/10 no IMDB)
Sinopse. Trama com tudo para ser bacana. Cafetão tem sua cabeça cotada a 1 milhão de dólares por um pecuarista milionário. Casal (um músico decadente de bar e sua namorada prostituta) parte atrás da grana. Marca registrada de Sam Peckinpah (1925-1984), a extrema violência está lá. Peckinpah é quase intocável na galeria de cineastas. Gostei muito de Straw Dogs (aqui, Sob o Domínio do Medo, 1971, 7.7/10 no IMDB), com Dustin Hoffman e Susan George, mas sempre achei que o mérito do filme esteve mais na incorporação quase transcendental de Susan a seu papel do que na direção (excelente, diga-se) de Peckinpah. Três anos depois, ele dirigiu Bring Me the Head of Alfredo Garcia (Entregue-me a Cabeça de Alfredo Garcia, 1974, 7.5/10 no IMDB). Par central, Warren Oates e a controversa diva mexicana Isela Vega. A violência realista está toda lá, com mortes e mais mortes, parte delas em câmera lenta.

MAS... Por que o clichê de tiroteios com dezenas de disparos que só matam os atores secundários e nunca o protagonista? Ver isso como paródia, ou na mão de cineasta meia-boca, ok, só não se espera isso de Peckinpah. Pior ainda a cena no cemitério, em que Oates é atacado com uma pá, mas não é morto. Por que assassinos profissionais não matam o ator principal? A resposta é uma só: porque o filme terminaria. Na parte técnica, ponto negativo para a cena em que Elita é quase violentada por dois barbudões com cara de mau e pança de cervejeiro. Parece noite profunda quando a câmera se posiciona de um jeito e dia radiante quando se posicona do lado oposto. Bem, de toda forma vamos combinar que se trata de um dos melhores títulos de filme de todos os tempos.

Direção: Sam Peckinpah
Roteiro: Sam Peckinpah e Gordon T. Dawson, a partir de história de Peckinpah e Frank Kowalski
Fotografia: Álex Phillips Jr
Elenco: Warren Oates (Bennie), Isela Vega (Elita)
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Trailer, 1min57"