Sei, sei, vou comprar uma briga de cachorro grande aqui, mas Dom Corleone era sutil, quase frágil fisicamente. Pra que aquele ostensivo algodão na boca? Pra que aquela coisa sussurrada? Pra que toda virilidade? Não, ele não se impunha fisicamente, apesar de poder fazê-lo. Não, sua voz não era sussurrada, nem tinha a opção oposta, a do grito. Corleone era a voz suave. Ele era o equilíbrio físico em sua quinta-essência, porque isso se contrapunha ao que de mais agressivo e voraz já existiu na alma. Se a interpretação de Marlon Brando fosse um sanduba paulistano, seria o de mortadela do Hocca Bar (sem dúvida inesquecível, mas mais pela opulência). E deveria ser o Polaco, do Bar Léo. O livro bate o filme -- sempre bate --, mas só quem leu o texto de Mario Puzo pode dimensionar Corleone. Dom Corleone (Marlon Brando), 2min37"17.6.08
8. Marlon Corleone Brando
Sei, sei, vou comprar uma briga de cachorro grande aqui, mas Dom Corleone era sutil, quase frágil fisicamente. Pra que aquele ostensivo algodão na boca? Pra que aquela coisa sussurrada? Pra que toda virilidade? Não, ele não se impunha fisicamente, apesar de poder fazê-lo. Não, sua voz não era sussurrada, nem tinha a opção oposta, a do grito. Corleone era a voz suave. Ele era o equilíbrio físico em sua quinta-essência, porque isso se contrapunha ao que de mais agressivo e voraz já existiu na alma. Se a interpretação de Marlon Brando fosse um sanduba paulistano, seria o de mortadela do Hocca Bar (sem dúvida inesquecível, mas mais pela opulência). E deveria ser o Polaco, do Bar Léo. O livro bate o filme -- sempre bate --, mas só quem leu o texto de Mario Puzo pode dimensionar Corleone. Dom Corleone (Marlon Brando), 2min37"7. Bring Me the Head of Alfredo Garcia
7.0/10 (7.5/10 no IMDB)Sinopse. Trama com tudo para ser bacana. Cafetão tem sua cabeça cotada a 1 milhão de dólares por um pecuarista milionário. Casal (um músico decadente de bar e sua namorada prostituta) parte atrás da grana. Marca registrada de Sam Peckinpah (1925-1984), a extrema violência está lá. Peckinpah é quase intocável na galeria de cineastas. Gostei muito de Straw Dogs (aqui, Sob o Domínio do Medo, 1971, 7.7/10 no IMDB), com Dustin Hoffman e Susan George, mas sempre achei que o mérito do filme esteve mais na incorporação quase transcendental de Susan a seu papel do que na direção (excelente, diga-se) de Peckinpah. Três anos depois, ele dirigiu Bring Me the Head of Alfredo Garcia (Entregue-me a Cabeça de Alfredo Garcia, 1974, 7.5/10 no IMDB). Par central, Warren Oates e a controversa diva mexicana Isela Vega. A violência realista está toda lá, com mortes e mais mortes, parte delas em câmera lenta.
MAS... Por que o clichê de tiroteios com dezenas de disparos que só matam os atores secundários e nunca o protagonista? Ver isso como paródia, ou na mão de cineasta meia-boca, ok, só não se espera isso de Peckinpah. Pior ainda a cena no cemitério, em que Oates é atacado com uma pá, mas não é morto. Por que assassinos profissionais não matam o ator principal? A resposta é uma só: porque o filme terminaria. Na parte técnica, ponto negativo para a cena em que Elita é quase violentada por dois barbudões com cara de mau e pança de cervejeiro. Parece noite profunda quando a câmera se posiciona de um jeito e dia radiante quando se posicona do lado oposto. Bem, de toda forma vamos combinar que se trata de um dos melhores títulos de filme de todos os tempos.
Direção: Sam Peckinpah
Roteiro: Sam Peckinpah e Gordon T. Dawson, a partir de história de Peckinpah e Frank Kowalski
Fotografia: Álex Phillips Jr
Elenco: Warren Oates (Bennie), Isela Vega (Elita)
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Trailer, 1min57"
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25.2.08
6. Craque: Paul Dano
Paul Franklin Dano, 19.6.1984.
Destaque: Pequena Miss Sunshine (Little Miss Sunshine)
Destaque: Pequena Miss Sunshine (Little Miss Sunshine)
5. Na Natureza Selvagem (Into the Wild)
6.0/10 (8.3/10 no IMDB)Sinopse. Após se formar com notas excelentes, Christopher McCandless decide virar um mochileiro, viver o maior tempo possível sem precisar de dinheiro ou posses e passar uma temporada de inverno isolado no meio do Alasca. Para isso, abandona a família sem dar mais notícias. História real.
MAS... Chega a ser quase impossível acreditar que uma sociedade que produz tanto fascínio pelo consumo, tanta busca pelo acúmulo de riqueza e tanta ojeriza aos 'perdedores' pudesse ter criado alguém como Chris McCandless. Para contar sua história, Penn optou pela visão poética, em detrimento da visão política. A decisão poderia até ser a mais honesta ou mesmo a mais indicada, mas ele escorregou ao inflar normalíssimas crises familiares, ao esquecer a regra suprema de que editar é cortar e ao se intimidar com a trilha sonora (que muitas vezes supera a narrativa). Esse pacote de decisões fez seu filme perder força. Poderia ser um road movie libertário. Poderia ser um filme de personagens secundários (os amigos que Chris encontra pelo caminho) mais complexos (pelo contrário, todos são tão bonzinhos...). Poderia até ser uma discussão sobre o fim ser mais poderoso que a jornada. Bem, poderia ser diferente. De toda forma, a história de que houve alguém como McCandlles é espetacular
Direção e Roteiro: Sean Penn
Texto Original: Jon Krakauer
Fotografia: Eric Gautier
Elenco: Emile Hirsch (Christopher McCandless)
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Trailer, 2min20"
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Destaque
A foto (abaixo) de Chris real no fim do filme é comovente.
Destaque
A foto (abaixo) de Chris real no fim do filme é comovente.
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4. Onde os Fracos Não Têm Vez (No Country for Old Men)
7.0/10 (8.4/10 no IMDB)Sinopse. Texano encontra, após uma matança entre traficantes no deserto, maleta com 2 milhões de dólares. Ele tenta fugir com o dinheiro, mas é perseguido por um implacável assassino de aluguel. O xerife local parte atrás dos dois, para salvar um e prender o outro.
MAS... Duas coisas impedem que Onde os Fracos... seja espetacular: o vilão sem nuances é a primeira (contraditoriamente, acredito que Anton se torne, muito em função da atuação de Javier Bardem, personagem-ícone da cinematografia mundial); e a seqüência interminável de buracos na trama (veja a seguir) é a segunda. Isso tira o longa daquele topo em que só os Grandes Têm Vez, porque a diferença entre um bom filme e um grande filme está nos detalhes. Alguém explica: 1) Como um assassino sempre implacável foi preso por um relés policialzinho interiorano (assim começa o filme)?; 2) Por que o relés policialzinho interiorano algema o assassino com as mãos para a frente (quaquer um o algemaria com as mãos para trás)?; 3) Por que o mesmo policialzinho, na solitária delegacia, fica de costas para o assassino?; 4) Por que Llewelyn, ao encontrar o dinheiro, tenta fugir e manda a mulher para a casa da sogra (se Lllewelyn já sabia que o assassino estava atrás dele e conhecia seu nome e endereço e acharia sua mulher)?; 5) Por que Llewelyn mantém o dinheiro na maleta em que ele sempre esteve e nunca o tirou de lá (o que qualquer um faria, encontrando o localizador que havia no meio das notas)?; 6) Por que Llewelyn, para fugir, tenta comprar um carro e só não o faz porque (acreditem) a única loja para a qual ligou o telefone deu ocupado?; 7) Por que um personagem como Carson Wells (papel de Woddy Harrelson), que parece à altura de Anton, age como um batedor de carteiras juvenil e é pego inocentemente? Claro que há mais méritos que deméritos, como a desesperança do xerife de que o mundo possa ficar melhor, a inútil luta de um homem mediano para sair da vidinha de sempre -- o que não acontece pela ação dos poderosos --, a sociedade de não-punidos que abastece a trama e se dá bem... Mas a lógica interna do filme pedia solução para esse pacote todo acima.
Direção: Ethan Cohen e Joel Cohen
Roteiro: Ethan Cohen e Joel Cohen
Texto Original: Cormac McCarthy
Fotografia: Roger Deakins
Elenco: Javier Bardem (Anton Chigurh), Tommy Lee Jones (xerife Ed Tom Bell), Josh Brolin (Llewelyn Moss)
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Trailer, 2min18"
3. Desejo e Reparação (Atonement)
6.0/10 (7.9/10 no IMDB)Sinopse. Em 1935, uma garota criativa acusa o namorado de sua irmã mais velha de um crime que ele não cometeu. E isso vai mudar de forma definitiva a vida dos três. Baseado no romance de Ian McEwan.
MAS... História envolvente. Direção de arte primorosa. Cinematografia grandiosa. Trilha adequada. Casting e atuação ótimos. Por que então o filme não me empolgou? Porque faltou surpreender. O longa pedia uma narrativa e uma edição menos burocráticas.
Direção: Joe Wright
Roteiro: Christopher Hampton
Texto Original: Ian McEwan
Fotografia: Seamus McGarvey
Elenco: James McAvoy (Robbie Turner) e Keira Knightley (Cecilia Tallis)
Destaque
A seqüência (vídeo, 5min41") em que Robbie e seu dois amigos de guerra chegam à praia de Dunquerque entrará para a seleção das mais grandiosas e bonitas do cinema mundial -- é uma aula
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Trailer, 1min45"
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2. Em Paris (Dans Paris)
6.0/10 (6.2/10 no IMDB)Sinopse. Depois de se separar da mulher, com quem havia se mudado para o interior da França, Paul enfrenta uma crise depressiva e volta para a casa do pai, em Paris. No claustrofóbico apartamento, ele terá também a companhia do irmão, um colecionador de sexo com mulheres que vai tentar animá-lo. Está claro o mote do roteiro: a forma antagônica como os dois irmãos lidam com as mulheres. Um, depressivamente. Outro, o mais novo, descompromissadamente. É um filme à francesa. E isso conta muito.
MAS... O desequilíbrio de densidade dos personagens desestrutura o filme e as discussões -- envolvendo amor, relacionamentos e família --, embora não fiquem piegas, perdem profundidade. E tem algo bem irritante: o filme começa com um dos irmãos falando para a câmera. Uma naturalidade forçada. Sabe ir a uma festa à fantasia? Não dá para fingir que está tudo bem, que aquilo tudo é natural. A cena lembrou-me meu pai, que dizia: "Teve uma idéia genial? Agora esqueça". Sabia tudo o velho.
Direção, Texto Original e Roteiro: Christophe Honoré
Fotografia: Jean-Louis Vialard
Elenco: Romain Duris (Paul, o irmão depressivo), Louis Garrel (Jonathan, o irmão mais novo), Joana Preiss (Anna, a ex de Paul), Guy Marchand (Mirko, o pai).
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Destaque
Romain Duris (de Albergue Espanhol e Bonecas Russas) é excelente.
Romain Duris (de Albergue Espanhol e Bonecas Russas) é excelente.
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Trailer, 2min02"
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Dans Paris,
Em Paris
1. A Vida dos Outros (Das Leben der Anderen)
8.0/10 (8.5/10 no IMDB)Sinopse. Metódico oficial da Stasi (a polícia secreta da ex-Alemanha Oriental) passa a vigiar um dramaturgo e inicia, a partir dessa vigília, uma rara experimentação de afetos e emoções que o farão questionar a própria vida e sua fé política.
MAS... NÃO TEM MAS. Emocionante. Filme que só deveria ser exibido entre os dias 26 e 31 de dezembro - porque faz você renovar a fé, seja ela nas pessoas, nas ideologias, ou na simples esperança de que ao alcance de cada um está a possibilidade de se fazer algo grandioso. "Este é para mim" é frase que nunca antes no cinema teve tanta força.
Direção, Texto e Roteiro: Florian Henkel von Donnersmarck
Fotografia: Hagen Bogdanski
Direção, Texto e Roteiro: Florian Henkel von Donnersmarck
Fotografia: Hagen Bogdanski
Elenco: Ulrich Mühe (espião Gerd Wiesler), Sebastian Koch (dramaturgo Georg Dreyman), Martina Gedeck (Christa-Maria Sieland)
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Destaque
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Destaque
O papel do agente é do espetacular ator Ulrich Mühe. Coincidentemente, ele foi espionado pela Stasi nos anos 80 (a Alemanha Oriental deixou de existir em 1989, com a Queda do Muro de Berlim) e chegou a declarar recentemente que sua segunda ex-mulher, a atriz Jenny Gröllmann, foi informante da Stasi, sem que ele soubesse, enquanto foram casados -- o que ela sempre negou. Os dois morreram de câncer. Ela, em agosto de 2006 (com 59 anos); ele, em julho de 2007 (com 54 anos). O longa levou o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro deste ano e estreou dia 30 de novembro em São Paulo.
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Trailer, 1min49"
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