29.11.09

9. Inglourious Basterds

6.5/10 (8.5/10 no IMDB)
Sinopse.
Na França ocupada da Segunda Guerra, um grupo de soldados judeus escalado para matar (e escalpelar) soldados nazistas tem a chance de acabar com o Terceiro Reich.
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MAS...
Filmes precisam ter lógica interna. Há uma semana vi -- e gostei de -- Deixe Ela (sic) Entrar (sueco de 2008, título original Låt Den Rätte Komma In, dirigido por Tomas Alfredson, 8.1/10.0 no IMDB). Mesmo um filme de vampiro precisa de lógica interna. Minha maior referência de lógica interna é o final de ET, em que os meninos fogem porque as bicicletas voam. Bicicletas não voam, ok, mas em ET bicicletas teriam obrigatoriamente de voar em nome da lógica interna. Por isso Bastardos Inglórios não é um grande filme. Vou enumerar:

1. Por que Landa (um convicto exterminador de judeus) não matou a menina Shoshanna?
2. Como Shoshanna, em quatro anos, passou de uma judia que vivia sob um assoalho a dona de cinema em Paris? Afinal, se havia alguma chance de a família dela viver sob esse disfarce (dona de cinema), não seria preciso passar parte da vida no porão na casa de fazenda de LaPadite.
3. Por que um soldado nazi de tanta expressão (que matara 300 aliados) caminharia sozinho em Paris ocupada e já perto do cerco como faz Zoller? Por que ele não teria sido promovido a oficial com um feito tão grande?
4. Por que o brilhante e implacável Landa (assim o filme o mostra) ao ser apresentado à Shoshanna em Paris não vai investigar a forma como ela se tornou dona de cinema, mesmo tendo desconfiado disso?
5. Por que Goebbels se comoveria com o pedido de Zoller de trocar de cinema para a projeção do filme? Do jeito que ficou seria porque ele foi sentimental e sensível aos pedidos de um soldado apaixonado... (Poupe-me 1).
6. Por que o oficial nazista que desconfia do sotaque de um dos membros do grupo Bastardos Inglórios na taverna não age imediatamente?
7. Por que o mesmo oficial se sentaria à mesa de forma tão imprudente, mesmo tendo desconfiado (mais: ficando quase de costas a Stiglitz)?
8. Por que Landa, ao encontrar o sapato feminino na taverna e a dedicatória assinada pela atriz Bridget Hammersmark, deixa que os acompanhantes dela entrem no cinema?
9. Em relação à pergunta anterior, se a intenção de Landa era fazer um acordo com os aliados -- para escapar de um tribunal de guerra ou da morte -- a melhor pessoa seria Bridget Hammersmark, que àquela altura ele já sabia se tratar de uma agente duplo. Ou seja, por que ele teria tentado acordo com Aldo e não com ela?
10. Mais: por que ele tentaria acordo com alguém que sabidamente não faria acordos?
11. Por que o alto comando das forças nazistas foi tão relapso na segurança da prémiere?
12. Por que o alto comando das forças nazistas permitiria que a projeção de algo tão importante, para tanta gente importante, não fosse vigiada e ficasse a cargo de Shoshanna e seu namorado?
13. Por que Landa se deixaria algemar por Aldo Raine?
14. E sabe por que Hitler estava no cinema? Por estar emocionado com a trajetória de seu soldado e ter decidido, num rompante de humanidade e sensibilidade, prestigiá-lo. (Poupe-me 2).
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DOIS PONTOS EXTREMAMENTE POSITIVOS...
1. A atuação de Christoph Waltz como Coronel Landa.
2. E, como me lembrou ms Pastre, tratar com humor, ironia e cinismo um tema que normalmente é tratado com sisudez
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Direção: Quentin Tarantino
Roteiro: Quentin Tarantino
Fotografia: Robert Richardson
Elenco: Brad Pitt (tenente Aldo Raine); Mélanie Lauren (Shosanna Dreyfus); Christoph Waltz (coronel Hans Landa); Diane Kruger (Bridget von Hammersmark); Daniel Brühl (soldado Fredrick Zoller).
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Trailer (2'09)

17.6.08

8. Marlon Corleone Brando

Sei, sei, vou comprar uma briga de cachorro grande aqui, mas Dom Corleone era sutil, quase frágil fisicamente. Pra que aquele ostensivo algodão na boca? Pra que aquela coisa sussurrada? Pra que toda virilidade? Não, ele não se impunha fisicamente, apesar de poder fazê-lo. Não, sua voz não era sussurrada, nem tinha a opção oposta, a do grito. Corleone era a voz suave. Ele era o equilíbrio físico em sua quinta-essência, porque isso se contrapunha ao que de mais agressivo e voraz já existiu na alma. Se a interpretação de Marlon Brando fosse um sanduba paulistano, seria o de mortadela do Hocca Bar (sem dúvida inesquecível, mas mais pela opulência). E deveria ser o Polaco, do Bar Léo. O livro bate o filme -- sempre bate --, mas só quem leu o texto de Mario Puzo pode dimensionar Corleone. Dom Corleone (Marlon Brando), 2min37"

7. Bring Me the Head of Alfredo Garcia

7.0/10 (7.5/10 no IMDB)
Sinopse. Trama com tudo para ser bacana. Cafetão tem sua cabeça cotada a 1 milhão de dólares por um pecuarista milionário. Casal (um músico decadente de bar e sua namorada prostituta) parte atrás da grana. Marca registrada de Sam Peckinpah (1925-1984), a extrema violência está lá. Peckinpah é quase intocável na galeria de cineastas. Gostei muito de Straw Dogs (aqui, Sob o Domínio do Medo, 1971, 7.7/10 no IMDB), com Dustin Hoffman e Susan George, mas sempre achei que o mérito do filme esteve mais na incorporação quase transcendental de Susan a seu papel do que na direção (excelente, diga-se) de Peckinpah. Três anos depois, ele dirigiu Bring Me the Head of Alfredo Garcia (Entregue-me a Cabeça de Alfredo Garcia, 1974, 7.5/10 no IMDB). Par central, Warren Oates e a controversa diva mexicana Isela Vega. A violência realista está toda lá, com mortes e mais mortes, parte delas em câmera lenta.

MAS... Por que o clichê de tiroteios com dezenas de disparos que só matam os atores secundários e nunca o protagonista? Ver isso como paródia, ou na mão de cineasta meia-boca, ok, só não se espera isso de Peckinpah. Pior ainda a cena no cemitério, em que Oates é atacado com uma pá, mas não é morto. Por que assassinos profissionais não matam o ator principal? A resposta é uma só: porque o filme terminaria. Na parte técnica, ponto negativo para a cena em que Elita é quase violentada por dois barbudões com cara de mau e pança de cervejeiro. Parece noite profunda quando a câmera se posiciona de um jeito e dia radiante quando se posicona do lado oposto. Bem, de toda forma vamos combinar que se trata de um dos melhores títulos de filme de todos os tempos.

Direção: Sam Peckinpah
Roteiro: Sam Peckinpah e Gordon T. Dawson, a partir de história de Peckinpah e Frank Kowalski
Fotografia: Álex Phillips Jr
Elenco: Warren Oates (Bennie), Isela Vega (Elita)
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Trailer, 1min57"

25.2.08

6. Craque: Paul Dano

Paul Franklin Dano, 19.6.1984.
Destaque: Pequena Miss Sunshine (Little Miss Sunshine)

5. Na Natureza Selvagem (Into the Wild)

6.0/10 (8.3/10 no IMDB)
Sinopse. Após se formar com notas excelentes, Christopher McCandless decide virar um mochileiro, viver o maior tempo possível sem precisar de dinheiro ou posses e passar uma temporada de inverno isolado no meio do Alasca. Para isso, abandona a família sem dar mais notícias. História real.

MAS... Chega a ser quase impossível acreditar que uma sociedade que produz tanto fascínio pelo consumo, tanta busca pelo acúmulo de riqueza e tanta ojeriza aos 'perdedores' pudesse ter criado alguém como Chris McCandless. Para contar sua história, Penn optou pela visão poética, em detrimento da visão política. A decisão poderia até ser a mais honesta ou mesmo a mais indicada, mas ele escorregou ao inflar normalíssimas crises familiares, ao esquecer a regra suprema de que editar é cortar e ao se intimidar com a trilha sonora (que muitas vezes supera a narrativa). Esse pacote de decisões fez seu filme perder força. Poderia ser um road movie libertário. Poderia ser um filme de personagens secundários (os amigos que Chris encontra pelo caminho) mais complexos (pelo contrário, todos são tão bonzinhos...). Poderia até ser uma discussão sobre o fim ser mais poderoso que a jornada. Bem, poderia ser diferente. De toda forma, a história de que houve alguém como McCandlles é espetacular

Direção e Roteiro: Sean Penn
Texto Original: Jon Krakauer
Fotografia: Eric Gautier
Elenco: Emile Hirsch (Christopher McCandless)
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Trailer, 2min20"
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Destaque
A foto (abaixo) de Chris real no fim do filme é comovente.

4. Onde os Fracos Não Têm Vez (No Country for Old Men)

7.0/10 (8.4/10 no IMDB)
Sinopse. Texano encontra, após uma matança entre traficantes no deserto, maleta com 2 milhões de dólares. Ele tenta fugir com o dinheiro, mas é perseguido por um implacável assassino de aluguel. O xerife local parte atrás dos dois, para salvar um e prender o outro.

MAS... Duas coisas impedem que Onde os Fracos... seja espetacular: o vilão sem nuances é a primeira (contraditoriamente, acredito que Anton se torne, muito em função da atuação de Javier Bardem, personagem-ícone da cinematografia mundial); e a seqüência interminável de buracos na trama (veja a seguir) é a segunda. Isso tira o longa daquele topo em que só os Grandes Têm Vez, porque a diferença entre um bom filme e um grande filme está nos detalhes. Alguém explica: 1) Como um assassino sempre implacável foi preso por um relés policialzinho interiorano (assim começa o filme)?; 2) Por que o relés policialzinho interiorano algema o assassino com as mãos para a frente (quaquer um o algemaria com as mãos para trás)?; 3) Por que o mesmo policialzinho, na solitária delegacia, fica de costas para o assassino?; 4) Por que Llewelyn, ao encontrar o dinheiro, tenta fugir e manda a mulher para a casa da sogra (se Lllewelyn já sabia que o assassino estava atrás dele e conhecia seu nome e endereço e acharia sua mulher)?; 5) Por que Llewelyn mantém o dinheiro na maleta em que ele sempre esteve e nunca o tirou de lá (o que qualquer um faria, encontrando o localizador que havia no meio das notas)?; 6) Por que Llewelyn, para fugir, tenta comprar um carro e só não o faz porque (acreditem) a única loja para a qual ligou o telefone deu ocupado?; 7) Por que um personagem como Carson Wells (papel de Woddy Harrelson), que parece à altura de Anton, age como um batedor de carteiras juvenil e é pego inocentemente? Claro que há mais méritos que deméritos, como a desesperança do xerife de que o mundo possa ficar melhor, a inútil luta de um homem mediano para sair da vidinha de sempre -- o que não acontece pela ação dos poderosos --, a sociedade de não-punidos que abastece a trama e se dá bem... Mas a lógica interna do filme pedia solução para esse pacote todo acima.

Direção: Ethan Cohen e Joel Cohen
Roteiro: Ethan Cohen e Joel Cohen
Texto Original: Cormac McCarthy
Fotografia: Roger Deakins
Elenco: Javier Bardem (Anton Chigurh), Tommy Lee Jones (xerife Ed Tom Bell), Josh Brolin (Llewelyn Moss)

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Trailer, 2min18"

3. Desejo e Reparação (Atonement)

6.0/10 (7.9/10 no IMDB)
Sinopse. Em 1935, uma garota criativa acusa o namorado de sua irmã mais velha de um crime que ele não cometeu. E isso vai mudar de forma definitiva a vida dos três. Baseado no romance de Ian McEwan.

MAS... História envolvente. Direção de arte primorosa. Cinematografia grandiosa. Trilha adequada. Casting e atuação ótimos. Por que então o filme não me empolgou? Porque faltou surpreender. O longa pedia uma narrativa e uma edição menos burocráticas.

Direção: Joe Wright
Roteiro: Christopher Hampton
Texto Original: Ian McEwan
Fotografia: Seamus McGarvey
Elenco: James McAvoy (Robbie Turner) e Keira Knightley (Cecilia Tallis)

Destaque
A seqüência (
vídeo, 5min41") em que Robbie e seu dois amigos de guerra chegam à praia de Dunquerque entrará para a seleção das mais grandiosas e bonitas do cinema mundial -- é uma aula
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Trailer, 1min45"